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sexta-feira, 9 de março de 2012

a quem interessar possa :)

Fazendo uma arrumação na estante, notei que tenho um exemplar sobressalente do livro O mundo se despedaça do escritor nigeriano Chinua Achebe. Comprei pensando na minha amiga, mas depois descobri que ela já tinha lido (e nem tinha gostado, ops). Como não conheço mais ninguém que se interesse por literatura africana, resolvi oferecer o livro aqui no blog.

O mundo se despedaça foi publicado em 1958 e é uma leitura ao mesmo tempo interessante e deprimente sobre as tradições de uma tribo Igbo antes e depois da chegada dos colonizadores britânicos. Eu estou quase na metade do livro, que é bem curtinho: 230 páginas. Mas não é uma leitura fácil, em momentos chega a ser bem desconfortável – alguns costumes da tribo são muito chocantes e violentos. Eu comecei a ler esse livro em 1998, mas ao chegar num determinado momento muito cruel da narrativa deixei o livro de lado. Por todos esses anos não abri o livro, mas estava ali na prateleira me incomodando. Uns dias atrás não aguentei mais de curiosidade e retomei a leitura. Apesar de ser um livro pesado e deprê, estou gostando.

Se você gostaria de receber esse livro basta deixar um comentário logo abaixo ou me mandar um email (o endereço está no meu perfil). Se mais de uma pessoa se interessar, faço um sorteio no dia 14 – quero encerrar isso logo para acelerar a remessa, quem sabe o livro chega a tempo de ser lido em abril para quem está participando do “Desafio Realmente Desafiante” J

E vou aproveitar para sugerir uma escritora africana: Chimamanda Adichie. Ela também é da Nigéria e dois dos seus livros já foram traduzidos para o português: Meio Sol Amarelo e Hibisco Roxo. O terceiro e último livro The thing around your neck é uma coletânea de contos, alguns dos quais sobre um tema que me fascina: imigração J

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

leituras fevereiro


exemplar da biblioteca
A tarefa do Desafio RD para o mês de fevereiro era ler “um livro que tenha um personagem com a inicial do nome igual ao seu”. No meu caso A, já que meu nome é Adriana. Li Saturday Night and Sunday Morning, considerado a obra prima do escritor inglês Alan Sillitoe e um retrato da juventude operária na Inglaterra nos anos 50. O livro segue a rotina do jovem Arthur Seaton, trabalhador de uma fábrica de bicicletas em Nottingham, cidade industrial no centro do país. Arthur trabalha muito, bebe mais ainda e se envolve com mulheres casadas, brigas e outras confusões. A história segue alguns meses na vida do rapaz, com todo aquele realismo social nu e cru que mostra a banalidade da vida doméstica, falta de perspectivas etc. Aliás esse autor é um dos representante do gênero literário que levou o nome de kitchen sink (=pia da cozinha).

O próprio escritor é de família operária de Nottingham e aos 14 anos começou a trabalhar na fábrica de bicicletas da Raleigh, onde seu pai trabalhava. Ele afirmou que a obra, apesar de não ser autobiográfica, era baseada em experiências de parentes, de amigos, e nas suas próprias, enfim... que nada ali era invenção e sim situações que tinham acontecido no seu círculo de relacionamentos.  Uma coisa que eu achei super interessante é que o texto menciona em várias oportunidades a quantidade de cerveja que os personagens vão ingerindo. Então dá pra ter uma noção de “quanto as pessoas bebiam”. Lembro que uns 6 ou 7 anos atrás, o “pânico moral” na Inglaterra era justamente sobre isso: que a juventude estava virada num bando de alcoólatras. Lendo Saturday Night and Sunday Morning dá pra ver que faz muito tempo que encher a cara faz parte da rotina. Achei fascinante também ler um livro que foi escrito na época áurea dos “pubs” (bares).

Tomei conhecimento de Alan Sillitoe em 2003, depois de assitir o filme “The Loneliness of the long distance runner”. Gostei tanto que fui ler a respeito: vi que tinha sido baseado num conto desse escritor e acabei lendo vários dos seus contos, todos dentro desse estilo “pia da cozinha”. Se alguém tiver curiosidade em ver e ouvir o escritor: por ocasião da proibição de fumar em bares e restaurantes, que só chegou na Inglaterra em julho de 2007, a BBC publicou no seu website um depoimento de Alan Sillitoe sobre sua vida de fumante. Que começou cedo, aos 14 anos! O depoimento está aqui neste link da BBC. A primeira e as últimas fotos são dele; as demais são fotos dos anos 50. Alan Sillitoe faleceu em 2010, aos 82 anos. Acho que nenhuma das suas obras foi traduzida para o português.

Em fevereiro li também um outro livro cuja personagem principal começa com A: Amsterdam, autor Geert Mak, sobre a história da cidade. Apesar de já ter visitado Amsterdam rapidamente no passado (fiquei poucas horas), eu não sabia nada da sua história e a leitura foi muito interessante. Associações que eu fazia: perseguição aos judeus durante a ocupação nazista (por ter lido “o diário de Anne Frank” quando era adolescente), arte (Van Gogh, Rembrandt), canais, prostituição e maconha. Pois bem, admito a minha ignorância: não sabia que Amsterdam tinha se desenvolvido como um centro de comércio na idade média, por ser uma cidade portuária. A cidade experimentou um período de muita prosperidade no século 17, tanto que na primeira metade do século a população mais que triplicou. Aliás eu nem sabia que tinha porto em Amsterdam. Mas a construção da estação de trem descaracterizou bastante esse aspecto marítimo da cidade: inclusive alguns canais foram fechados, já que não tinham mais razão de ser.
exemplar da biblioteca

Adorei o livro, que de tão fascinante me fez parar várias vezes a leitura e procurar mais informações sobre determinados detalhes na Wikipedia. Por exemplo, as viagens de Willem Barentsz. Até então eu só sabia de um grupo que tinha passado o inverno com o barco preso numa região polar: a tripulação do barco Endurance, liderada por Shackleton, que ficou presa na Antártica em 1915. Mas no século 16 um grupo de holandeses já tinha passado por experiência semelhante! Sendo que diferentemente da expedição de Shackleton, os holandeses não estavam planejando fazer isso. Gostei de ler  também os pequenos detalhes que foram preservados em diários de moradores da cidade, ao longo dos séculos. O livro traz um panorama geral, salpicado com pequenas anedotas: uma leitura muito fluída e interessante. Aliás gostei tanto que pretendo ler novamente, antes de voltar a Amsterdam. E fiquei também com vontade de ler outros livros do mesmo escritor, e quem sabe alguma coisa do escritor holandês “Multatuli” (Eduard Dekker).

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

uns mais iguais que os outros...

exemplar da biblioteca
Meu livro de janeiro, dentro do Desafio RD foi A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Os animais de uma fazenda se rebelam contra os humanos, expulsando-os.  Unidos em torno do objetido de criar uma sociedade igualitária aceitam a liderança dos porcos, considerados mais inteligentes. À medida que o tempo passa os porcos são corrompidos pelo poder. A página em português da wikipédia traz mais informações sobre o enredo. Já comecei a leitura sabendo que o livro era uma crítica as políticas de Stalin, e que a história não tinha como acabar bem, ou seja, a idéia geral da obra não era novidade – ainda assim foi uma leitura fascinante. No começo da revolução, os animais concordam com várias leis... que posteriormente vão sendo modificadas para favorecer o grupo dominante. Então a lei inicial “todos os animais são iguais”, acaba em “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”. Para mim essa foi a grande suspresa da obra, não sabia que essa idéia/citação era de George Orwell.

Gosto muito das obras desse escritor inglês. No fim do livro tinha uma lista “do mesmo autor, leia também...”, que vou copiar aqui riscando os que eu já li:

Na Pior em Paris e Londres (Down and Out in Paris and London)
Dias na Birmânia (Burmese Days)
A filha do Reverendo (A Clergyman’s daughter)
Mantenha o Sistema (Keep the Aspidistra Flying)
A caminho de Wigan (The road to Wigan Pier)
Lutando na Espanha (Homage to Catalonia)
Um pouco de ar, por favor (Coming up for Air)
1984
Ensaios (Collected Essays). Venho lendo esses ensaios e artigos lentamente ao longo dos anos. É um dos poucos livros que eu tenho em casa, os demais eu peguei na biblioteca pública.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

12 livros em 2012...?

Inicialmente tinha escrito um texto enorme mas achei melhor dar uma reduzida para não matar nenhuma leitora de tédio J 

Estou empolgada com um desafio de leitura que encontrei, cujo nome é “um desafio realmente desafiante”. A idéia é ler um livro por mês, dentro da temática escolhida. Achei interessante que a temática é bem ampla mesmo, por exemplo agora em janeiro o objetivo é ler “um livro de um escritor europeu”, para março a idéia é “um livro de capa verde ou azul”, e assim vamos. Todos os detalhes no site do projeto. Gostei e já me inscrevi. Ano passado eu não consegui ler nem 8 livros, então me comprometer a ler 12 já é um desafio. E desconfio que terei maior dificuldade no mês de julho, quando a tarefa é “ler um livro com mais de 500 páginas”. Que me lembre jamais li um livro de ficção com mais de 500 páginas, geralmente evito as obras muito longas. Mas tenho alguns livros técnicos e outros de não-ficção bem longos, talvez devesse aproveitar a oportunidade. Aliás só me inscrevi porque agora em janeiro já estava lendo um escritor europeu. J


Pergunto a você que também gosta de ler... como faz para escolher o próximo livro: segue algum critério... ou qualquer coisa que aparece na frente tá valendo? Tem algum gênero que vc evita? Algum escritor preferido? O meu é o russo Anton Tchekov, adoro ler (e reler) seus contos.

sábado, 31 de dezembro de 2011

leituras 2011, planos 2012

Li bem pouquinho durante 2011:
- 3 livros de ficcão (livros de contos de autores contemporâneos)
- 4 e ½ livros de não-ficção

Os livros de não-ficção que eu li foram os seguintes:
South Africa – The rise and fall of apartheid,  de Nancy Clark & William Worger (2004)
Um livro super denso sobre o Apartheid, e claro não tinha como ser diferente: uma história deprimente de opressão e brutalidades. Uma questão que não estava bem esclarecida para mim era a seguinte: como a maioria da população da África do Sul foi subjugada por uma minoria? O livro relata várias ações de resistência, e as reações do governo: respondia à qualquer crítica com legislação ainda mais repressiva e força bruta (a prática da polícia era atirar nos protestantes, até mesmo estudantes, como aconteceu em Soweto em 1976).

- Playing the enemy, John Carlin.
Esse eu li depois de ver o filme de Clint Eastwood “Invictus”. Achei que algumas situações no filme estavam tão mas tão esquisitas, por exemplo: torcida branca de rugby cantando música africana no estádio em 1995? Bem difícil de acreditar... e achei melhor ler o livro no qual o filme foi baseado. E que leitura fascinante sobre o período de transição do Aparteid para democracia, mostrando o esporte como elemento de união. (Há vídeos no youtube sobre alguns eventos retratados no filme, e entrevistas com o capitão da equipe na época - François Pienaar – que parece ser um doce de pessoa. Em relação ao filme: li críticas no imdb que Matt Demon não estava convincente como capitão de time de rugby, mas pra mim ele estava muito bem no papel.)

- Immigrants, your country needs them - Phillipe Legrain, um economista britânico.
Esqueci de tomar notas e não lembro mais dos argumentos que o autor usou para apoiar imigração irrestrita, acho que nenhum era assim tão convincente (apesar de eu também ser a favor).

- From Lance to Landis, de David Walsh.
Num passado remoto eu até me interessava por ciclismo competitivo, mas toda a admiração que eu tinha pelos atletas se perdeu na época do escândalo da Festina (1998). Esse livro menciona um monte de ciclistas que eu nunca tinha ouvido falar por não ter mais acompanhado o esporte (Tyler Hamilton, Floyd Landis, Frank Andreau entre outros) . E também aqueles ciclistas mais antigos cujos nomes me eram familiares: Virenque, Pantani, Greg LeMond. E Lance Armstrong, naturalmente. O livro foi bem interessante, mas por outro lado fiquei sabendo coisas que podia viver sem. Por exemplo: quem apresentou o Dr. Ferrari (figura tão controversa) ao Armstrong? Eddy Merckx, a lenda! A conclusão que eu tirei do livro é que esse mundo do ciclismo profissional é bem sujinho mesmo e fiz bem em não perder meu tempo acompanhando essa novela de dopings ao longo dos anos. 

- Seven Hills of Rome: a geological tour of the eternal city - Funiciello & outros.
Na verdade esse ai eu só li pela metade: foram muito detalhes técnicos para o meu gosto e entendimento, então alguns parágrafos mais difíceis eu pulei. Não sei o que eu estava esperando, com um título desses? Mas fiquei com vontade de ler mais sobre Roma, sobre história em geral e até mesmo sobre geologia.

Então o plano para 2012 é ler mais, muito mais!
Pelo menos uns 8 livros, na sua totalidade J

E também:
- cozinhar uma coisa diferente a cada mês
- crochetar um pequeno tapete
- voltar a nadar