quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

leituras fevereiro


exemplar da biblioteca
A tarefa do Desafio RD para o mês de fevereiro era ler “um livro que tenha um personagem com a inicial do nome igual ao seu”. No meu caso A, já que meu nome é Adriana. Li Saturday Night and Sunday Morning, considerado a obra prima do escritor inglês Alan Sillitoe e um retrato da juventude operária na Inglaterra nos anos 50. O livro segue a rotina do jovem Arthur Seaton, trabalhador de uma fábrica de bicicletas em Nottingham, cidade industrial no centro do país. Arthur trabalha muito, bebe mais ainda e se envolve com mulheres casadas, brigas e outras confusões. A história segue alguns meses na vida do rapaz, com todo aquele realismo social nu e cru que mostra a banalidade da vida doméstica, falta de perspectivas etc. Aliás esse autor é um dos representante do gênero literário que levou o nome de kitchen sink (=pia da cozinha).

O próprio escritor é de família operária de Nottingham e aos 14 anos começou a trabalhar na fábrica de bicicletas da Raleigh, onde seu pai trabalhava. Ele afirmou que a obra, apesar de não ser autobiográfica, era baseada em experiências de parentes, de amigos, e nas suas próprias, enfim... que nada ali era invenção e sim situações que tinham acontecido no seu círculo de relacionamentos.  Uma coisa que eu achei super interessante é que o texto menciona em várias oportunidades a quantidade de cerveja que os personagens vão ingerindo. Então dá pra ter uma noção de “quanto as pessoas bebiam”. Lembro que uns 6 ou 7 anos atrás, o “pânico moral” na Inglaterra era justamente sobre isso: que a juventude estava virada num bando de alcoólatras. Lendo Saturday Night and Sunday Morning dá pra ver que faz muito tempo que encher a cara faz parte da rotina. Achei fascinante também ler um livro que foi escrito na época áurea dos “pubs” (bares).

Tomei conhecimento de Alan Sillitoe em 2003, depois de assitir o filme “The Loneliness of the long distance runner”. Gostei tanto que fui ler a respeito: vi que tinha sido baseado num conto desse escritor e acabei lendo vários dos seus contos, todos dentro desse estilo “pia da cozinha”. Se alguém tiver curiosidade em ver e ouvir o escritor: por ocasião da proibição de fumar em bares e restaurantes, que só chegou na Inglaterra em julho de 2007, a BBC publicou no seu website um depoimento de Alan Sillitoe sobre sua vida de fumante. Que começou cedo, aos 14 anos! O depoimento está aqui neste link da BBC. A primeira e as últimas fotos são dele; as demais são fotos dos anos 50. Alan Sillitoe faleceu em 2010, aos 82 anos. Acho que nenhuma das suas obras foi traduzida para o português.

Em fevereiro li também um outro livro cuja personagem principal começa com A: Amsterdam, autor Geert Mak, sobre a história da cidade. Apesar de já ter visitado Amsterdam rapidamente no passado (fiquei poucas horas), eu não sabia nada da sua história e a leitura foi muito interessante. Associações que eu fazia: perseguição aos judeus durante a ocupação nazista (por ter lido “o diário de Anne Frank” quando era adolescente), arte (Van Gogh, Rembrandt), canais, prostituição e maconha. Pois bem, admito a minha ignorância: não sabia que Amsterdam tinha se desenvolvido como um centro de comércio na idade média, por ser uma cidade portuária. A cidade experimentou um período de muita prosperidade no século 17, tanto que na primeira metade do século a população mais que triplicou. Aliás eu nem sabia que tinha porto em Amsterdam. Mas a construção da estação de trem descaracterizou bastante esse aspecto marítimo da cidade: inclusive alguns canais foram fechados, já que não tinham mais razão de ser.
exemplar da biblioteca

Adorei o livro, que de tão fascinante me fez parar várias vezes a leitura e procurar mais informações sobre determinados detalhes na Wikipedia. Por exemplo, as viagens de Willem Barentsz. Até então eu só sabia de um grupo que tinha passado o inverno com o barco preso numa região polar: a tripulação do barco Endurance, liderada por Shackleton, que ficou presa na Antártica em 1915. Mas no século 16 um grupo de holandeses já tinha passado por experiência semelhante! Sendo que diferentemente da expedição de Shackleton, os holandeses não estavam planejando fazer isso. Gostei de ler  também os pequenos detalhes que foram preservados em diários de moradores da cidade, ao longo dos séculos. O livro traz um panorama geral, salpicado com pequenas anedotas: uma leitura muito fluída e interessante. Aliás gostei tanto que pretendo ler novamente, antes de voltar a Amsterdam. E fiquei também com vontade de ler outros livros do mesmo escritor, e quem sabe alguma coisa do escritor holandês “Multatuli” (Eduard Dekker).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

if not now, then when...?

No final de semana cozinhei uma galinha enroladinha em bacon + vegetais variados no forno e foi uma grande decepção. Ficou super sem graça, acho que faltou um temperinho. Sendo que devo ter errado no tempo de cozimento, já que a galinha ficou seca demais para o meu gosto. E a foto deixou a desejar também, então nem vou colocar aqui. Mas não queria deixar de mencionar isso, já que um dos meus objetivos para 2012 é cozinhar uma coisa nova por mês. Pior que falhar é nem tentar J

Deixando a cozinha de lado e mudando um pouquinho de assunto: meu blog.  Resolvi mudar o nome para ‘if not now, then when’, que é o trecho de uma música da Tracy Chapman que eu gosto muito... e também uma lembrança para eu correr atrás das coisas que eu quero/preciso muito fazer. Estou passando por um período de procrastinação em alguns projetos (no trabalho inclusive), mas o tempo de agir é agora. Só mudei o nome, o endereço ficou o mesmo.

Eu vinha mudando a foto do topo do blog, colocando fotos de flores que nós (meu marido e eu) compramos no supermercado para alegrar a nossa casa... Mas agora que a primavera finalmente chegou aqui no hemisfério norte (moro na Inglaterra), vou passar a colocar fotos de flores que vejo por aí, que são sempre tão mais bonitas. Então a foto do topo no momento é um tapete de crocus. Achei um barato que no dia que eu passei ali (na última quinta) tinha um monte de gente tirando fotos, a maioria com o celular, mas vi também aquelas máquinas profissionais com lentes enormes. Até aproveitei para tirar umas dúvidas com uma senhora que tinha uma máquina profi dessas, olhando de perto vi que é muito volume e peso para carregar - meu interesse por fotografia não chega a tanto. Achei interessante também ver que um idoso trouxe uma cadeira de casa e se sentou para admirar as flores. É uma alegria imensa mesmo quando elas voltam. J

E vou deixar aí a música If not now, da Tracy Chapman... adoro essa cantora, desde os tempos de Crossroads venho sempre acompanhando trabalho dela. Tive o prazer de vê-la se apresentar em Sheffield em 2003. Quem abriu o show foi Jason Mraz, na época um ilustre desconhecido!



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

colorindo a vida

Um detalhe do meu dia-a-dia, antes do crochê:


Depois J:


Uma das coisas que eu mais gosto de fazer no tempo livre é curtir a natureza Y, a pé ou de bicicleta. Quando estou fazendo trilhas sempre levo comigo um dispositivo GPS e um conjunto de lanterninhas, daí não preciso me preocupar se a luz do dia já se foi e o meu percurso ainda não terminou. Andando de bicicleta essas tralhas vão presas no guidão, mas quando estou fazendo caminhadas gosto de levar o GPS no bolso e as lanternas na mochila, cada coisa dentro de um saquinho/bolsinha para não dar bagunça. Até janeiro eu estava usando bolsinhas pretas bem sem graça, que são as originais que vieram com os produtos. Mas agora em fevereiro fiz bolsinhas de crochê - fiquei muito feliz com o resultado! J