Gosto de aproveitar meu aniversário para dar uma olhada crítica na minha vida. Ao fazer isso em julho de 2012 notei que não estava completamente satisfeita no quesito "amizades". Meu marido e eu socializamos muito juntos - seguidamente somos convidados para jantas e festas com amigos/conhecidos/contatos de trabalho. Bastante agito para uma pessoa introvertida como eu. Mas sinceramente a nossa vida social agitada não passava muito disso: muito barulho e pouca substância. Quantos aos verdadeiros amigos: meu marido tem velhos amigos muito queridos, dois dos quais eu considero bons amigos. Sendo que um deles é meu parceiro de caminhada, uma vez por mês nos encontramos para fazer alguma trilha juntos. E eu até tinha algumas amigas, mas não eram assim tão próximas e pouca coisa a gente tinha em comum; estavam mais para amigas-conhecidas. Eu estava sentindo muita falta de amigas de verdade.
Então nesse tempo que estive longe do blog me dediquei a conhecer gente nova e fazer amigas com as quais eu tivesse maior afinidade. Comecei cortando contato* com as amigas-conhecidas: eram relacionamentos que eu estava mantendo por carência, inércia ou senso de obrigação. Tomar essa decisão me trouxe um certo alívio e bastante disposição para conhecer outras pessoas. O que mais me surpreendeu foi que, tomada a decisão e aberto o coração para novas possibilidades, não foi assim tão difícil encontrar mulheres muito legais, com as quais eu tenho muita afinidade mesmo! Com o passar dos meses as amizades foram se desenvolvendo. Agora, passado mais de ano em que me empenhei em conquistar novas amigas, estou super feliz com as mulheres que conheci e estou conhecendo. E decidi que nunca mais quero me acomodar e manter relacionamentos por motivos equivocados!
Então em 2013 vivi um dos verões mais divertidos dos últimos anos, em grande parte por conta das minhas novas amizades. O mais difícil foi começar, mas uma vez dado o primeiro passo na direção certa, ficou bem mais fácil dar outro e mais outro e seguir crescendo. Isso tudo tem me feito um bem danado!
Eu não ia escrever nada aqui no blog sobre isso, em parte por constrangimento. Sim, acho meio constrangedor chegar aos 41 anos, olhar para os lados e me ver sem amigas de verdade, como me aconteceu em 2012. Para onde elas foram? Eu cheguei mesmo nesse ponto? Como é que eu deixei a peteca cair assim...? Mas outra decisão que tomei nesse tempo que fiquei longe do blog é de ser mais sincera. Mas outro dia eu escrevo mais sobre isso - para quem ficou mais de ano sem escrever, até que escrevi bastante por hoje :)
* de uma maneira bem suave: parei de procurá-las e não me procuraram mais também.
if not now, then when?
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
im wunderschoenen Monat Mai
Segue um texto que eu escrevi em maio, mas esqueci de publicar:
Dia 18 de maio fui numa apresentação de dois estudantes ouvir as canções “Dichterliebe” de Schumann para voz e piano. Adoro a linha melódica da primeira canção, que é “Im wunderschönen Monat Mai”. Enquanto pedalava bem rápido para não me atrasar e não perder o começo, eu estava pensando: pra que mesmo que eu saio de casa e vou nessas apresentações, quando sempre tem distrações que incomodam, pessoas que tossem, retardatários, etc? Não é muito melhor ouvir música clássica em casa? Ainda mais agora com youtube, praticamente tudo está disponível online! Pra que ouvir um estudante, podendo me deliciar com o mestre Dietrich Fischer Dieskau no conforto do meu lar... olha só o que é a preguiça de sair de casa, qualquer desculpa serve.
Dia 18 de maio fui numa apresentação de dois estudantes ouvir as canções “Dichterliebe” de Schumann para voz e piano. Adoro a linha melódica da primeira canção, que é “Im wunderschönen Monat Mai”. Enquanto pedalava bem rápido para não me atrasar e não perder o começo, eu estava pensando: pra que mesmo que eu saio de casa e vou nessas apresentações, quando sempre tem distrações que incomodam, pessoas que tossem, retardatários, etc? Não é muito melhor ouvir música clássica em casa? Ainda mais agora com youtube, praticamente tudo está disponível online! Pra que ouvir um estudante, podendo me deliciar com o mestre Dietrich Fischer Dieskau no conforto do meu lar... olha só o que é a preguiça de sair de casa, qualquer desculpa serve.
De qualquer forma pedalei até o lugar do concerto. E não me arrependi, apesar das pessoas tossindo e das crianças fazendo barulho. O barítono era tão espressivo e tinha uma presença tão magnética que fiquei totalmente absorta nas canções de Schumann e esqueci do mundo ao meu redor - nem vi o tempo passar. Aliás primeira vez que escuto todas juntas.
Depois chegando em casa por curiosidade fui ler mais sobre o barítono: encontrei seu website e sua conta no twitter. E foi lendo o twitter do rapaz que fiquei sabendo do falecimento de Dietrich Fischer Dieskau, naquele mesmo dia 18.
Depois chegando em casa por curiosidade fui ler mais sobre o barítono: encontrei seu website e sua conta no twitter. E foi lendo o twitter do rapaz que fiquei sabendo do falecimento de Dietrich Fischer Dieskau, naquele mesmo dia 18.
A minha Lied preferida não é “Im wunderschönen Monat Mai” e sim “An die Musik”, de Schubert. Apesar do tom melancólico, gosto muito da letra - uma ode à música: ó preciosa arte, em quantas horas sombrias aqueceste o meu coração e me transportaste para um mundo melhor! Fica aí então em memória do grande DFD:
terça-feira, 8 de maio de 2012
livin' la vida desplugada & awesome
Tirei umas semanas de férias do blog, e fui viver a vida desplugada & awesome. Pensei em fazer uma montagem de várias fotos legais, tipo um mosaico... mas a preguiça está falando mais alto. Vou resumir o período numa única foto:
A qualidade não é das melhores, já que tirei com o telefone. Claro que nesse tempo todo nem tudo foi espetacular; sempre tem o trabalho, adicionando um pouco de estresse - faz parte.
Estou escrevendo hoje aqui no blog porque quero deixar marcado o dia de hoje - 08 de maio, quando voltei a NADAR, depois de tanto tempo! Yes! YES! YES!!! Eu cheguei bem tarde neste esporte: só fui aprender a nadar com 35 anos. Eu sempre pensei que a natação não fosse para mim, até fazer um cursinho em fevereiro/2007. Adorei! Treinei sem parar (5x por semana) e meu entusiasmo foi tal que em maio do mesmo ano fiz uma viagem até o Mediterrâneo só para nadar no mar. Podia ter nadado aqui na Inglaterra mesmo, mas queria nadar sem roupa - aqui na Inglaterra a água é muito fria, melhor usar roupa de neoprene. A descoberta da natação foi uma coisa tão espetacular na minha vida que por um tempo eu me transformei numa pessoa super chata , que tentava arrebanhar mais adeptos a esse esporte fantástico: todo mundo tinha que passar pela experiência maravilhosa que eu estava passando. Até que deixei a evangelização de lado e me concentrei só na natação mesmo. Chegou num ponto que eu estava nadando pelo menos 0.5k por dia, 5x por semana... minha média era 12km por mês. Nunca tinha me sentido tão em forma na vida, foi fenomenal. Infelizmente no fim de 2008 tive alguns problemas de saúde (não relacionados com natação), e fui forçada a diminuir o ritmo. Mas o pior que me aconteceu foi um acidente de bicicleta, em janeiro de 2011, quando quebrei o braço. Fiquei 3 meses sem poder andar de bicicleta... e mais de ano sem conseguir nadar, tal a gravidade da minha lesão. Tentei nadar em setembro, mas ainda doía muito. Faz algumas semanas que estou me sentindo muito bem, e hoje decidi retomar esse esporte: fui até um clube esportivo aqui perto da minha casa e assinei um contrato de um ano. Ofereciam contratos de 3 meses também, mas achei melhor me jogar logo de cabeça. Como foi muito demorado fazer a inscrição no clube, só tive tempo de nadar 3 voltas. Deu pra ver que estou bem fora de forma e que a minha técnica está péssima... mas, como eu esperava, já consigo nadar sem sentir dor. Ah felicidade! Estou de volta no bom caminho.
Nesse período em que eu estive offline, o meu blog preferido de TODOS os tempos chegou no fim de um ciclo. 1000 awesome things é um cantinho na internet que sempre me faz refletir nas coisas pequenas e boas, e na passagem do tempo. Nas palavras do autor, Neil Pasricha:
Bomb’s ticking, clock’s clicking, you’re going underground soon.
So before you die make sure you try to squeeze every drop from your days.
Run till you bleed, love till she leaves, power up with passion and fire.
Give it your best, forget all the rest, and collapse at the end of the day.
Amém J
segunda-feira, 19 de março de 2012
primeira vez para tudo
Sábado, depois de escrever aqui no blog, eu repensei a minha atitude. Talvez eu nunca goste de fazer as compras... mas não preciso gostar disso para curtir o processo de cozinhar. Resolvi deixar as desculpas de lado e tentar uma receita nova. Em junho do ano passado eu tinha comprado um livro de receitas – mas ainda não tinha feito nada... tal a minha dedicação! Então no sábado fiz um arroz com peixe. A receita mandava tirar a pele do peixe, coisa que eu nunca tinha feito... aliás nunca tinha preparado qualquer coisa com peixe. Tirar a pele foi bem mais fácil do que eu imaginava! Ah que bom, fiquei muito feliz* de ter feito isso! Tão feliz que tirei uma foto para me lembrar depois:
Esqueci de tirar uma foto do prato já pronto, que era o seguinte: um risoto com cogumelo, trutas enroladinhas com presunto de parma e tudo isso foi parar no forno, dando a oportunidade para lavar toda a louça e arrumar a cozinha antes da refeição. A receita era para 4 pessoas... mas estávamos em 3 e quase faltou comida! Por sorte a visita era de casa. Então tenho que me ligar em quantidades: 225g de arroz não é que chega para 3 pessoas... Aliás não gostei da proporção da receita, foi pouco arroz (225g) para muito peixe (440g).
*Feliz de ver que peixe (pelo menos truta) não é o grande mistério que eu imaginava. Quero algum dia conseguir conseguir preparar tudo que é tipo de peixe e os meus frutos do mar preferidos: mexilhões e vierias (coquilles st jacques). Sempre que vou em restaurantes dou preferência aos pescados – a maior revelação culinária que eu tive saindo do Brasil. Ou talvez devesse admitir “saindo do Rio Grande do Sul” - provavelmente todo mundo consome mais peixe que nós gaúchos. Lá em casa peixe era só na sexta-feira santa, e olhe lá. E vc, consome muito peixe na sua região do Brasil? Ou consumia, enquanto morava lá?
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