sexta-feira, 3 de agosto de 2012

im wunderschoenen Monat Mai

Segue um texto que eu escrevi em maio, mas esqueci de publicar:

Dia 18 de maio fui numa apresentação de dois estudantes ouvir as canções “Dichterliebe” de Schumann para voz e piano. Adoro a linha melódica da primeira canção, que é “Im wunderschönen Monat Mai”. Enquanto pedalava bem rápido para não me atrasar e não perder o começo, eu estava pensando: pra que mesmo que eu saio de casa e vou nessas apresentações, quando sempre tem distrações que incomodam, pessoas que tossem, retardatários, etc? Não é muito melhor ouvir música clássica em casa? Ainda mais agora com youtube, praticamente tudo está disponível online! Pra que ouvir um estudante, podendo me deliciar com o mestre Dietrich Fischer Dieskau no conforto do meu lar... olha só o que é a preguiça de sair de casa, qualquer desculpa serve.
De qualquer forma pedalei até o lugar do concerto. E não me arrependi, apesar das pessoas tossindo e das crianças fazendo barulho. O barítono era tão espressivo e tinha uma presença tão magnética que fiquei totalmente absorta nas canções de Schumann e esqueci do mundo ao meu redor - nem vi o tempo passar. Aliás primeira vez que escuto todas juntas. 

Depois chegando em casa por curiosidade fui ler mais sobre o barítono: encontrei seu website e sua conta no twitter. E foi lendo o twitter do rapaz que fiquei sabendo do falecimento de Dietrich Fischer Dieskau, naquele mesmo dia 18.
A minha Lied preferida não é “Im wunderschönen Monat Mai” e sim “An die Musik”, de Schubert. Apesar do tom melancólico, gosto muito da letra - uma ode à música: ó preciosa arte, em quantas horas sombrias aqueceste o meu coração e me transportaste para um mundo melhor!  Fica aí então em memória do grande DFD:

terça-feira, 8 de maio de 2012

livin' la vida desplugada & awesome

Tirei umas semanas de férias do blog, e fui viver a vida desplugada & awesome. Pensei em fazer uma montagem de várias fotos legais, tipo um mosaico... mas a preguiça está falando mais alto. Vou resumir o período numa única foto:


A qualidade não é das melhores, já que tirei com o telefone. Claro que nesse tempo todo nem tudo foi espetacular; sempre tem o trabalho, adicionando um pouco de estresse - faz parte.

Estou escrevendo hoje aqui no blog porque quero deixar marcado o dia de hoje - 08 de maio, quando voltei a NADAR, depois de tanto tempo! Yes! YES! YES!!! Eu cheguei bem tarde neste esporte: só fui aprender a nadar com 35 anos. Eu sempre pensei que a natação não fosse para mim, até fazer um cursinho em fevereiro/2007. Adorei! Treinei sem parar (5x por semana) e meu entusiasmo foi tal que em maio do mesmo ano fiz uma viagem até o Mediterrâneo só para nadar no mar. Podia ter nadado aqui na Inglaterra mesmo, mas queria nadar sem roupa - aqui na Inglaterra a água é muito fria, melhor usar roupa de neoprene. A descoberta da natação foi uma coisa tão espetacular na minha vida que por um tempo eu me transformei numa pessoa super chata , que tentava arrebanhar mais adeptos a esse esporte fantástico: todo mundo tinha que passar pela experiência maravilhosa que eu estava passando. Até que deixei a evangelização de lado e me concentrei só na natação mesmo. Chegou num ponto que eu estava nadando pelo menos 0.5k por dia, 5x por semana... minha média era 12km por mês. Nunca tinha me sentido tão em forma na vida, foi fenomenal. Infelizmente no fim de 2008 tive alguns problemas de saúde (não relacionados com natação), e fui forçada a diminuir o ritmo. Mas o pior que me aconteceu foi um acidente de bicicleta, em janeiro de 2011, quando quebrei o braço. Fiquei 3 meses sem poder andar de bicicleta... e mais de ano sem conseguir nadar, tal a gravidade da minha lesão. Tentei nadar em setembro, mas ainda doía muito. Faz algumas semanas que estou me sentindo muito bem, e hoje decidi retomar esse esporte: fui até um clube esportivo aqui perto da minha casa e assinei um contrato de um ano. Ofereciam contratos de 3 meses também, mas achei melhor me jogar logo de cabeça. Como foi muito demorado fazer a inscrição no clube, só tive tempo de nadar 3 voltas. Deu pra ver que estou bem fora de forma e que a minha técnica está péssima... mas, como eu esperava, já consigo nadar sem sentir dor. Ah felicidade! Estou de volta no bom caminho.

Nesse período em que eu estive offline, o meu blog preferido de TODOS os tempos chegou no fim de um ciclo. 1000 awesome things é um cantinho na internet que sempre me faz refletir nas coisas pequenas e boas, e na passagem do tempo. Nas palavras do autor, Neil Pasricha:

Bomb’s ticking, clock’s clicking, you’re going underground soon.
So before you die make sure you try to squeeze every drop from your days.
Run till you bleed, love till she leaves, power up with passion and fire.
Give it your best, forget all the rest, and collapse at the end of the day.

Amém J

segunda-feira, 19 de março de 2012

primeira vez para tudo

Sábado, depois de escrever aqui no blog, eu repensei a minha atitude. Talvez eu nunca goste de fazer as compras... mas não preciso gostar disso para curtir o processo de cozinhar. Resolvi deixar as desculpas de lado e tentar uma receita nova. Em junho do ano passado eu tinha comprado um livro de receitas – mas ainda não tinha feito nada... tal a minha dedicação! Então no sábado fiz um arroz com peixe. A receita mandava tirar a pele do peixe, coisa que eu nunca tinha feito... aliás nunca tinha preparado qualquer coisa com peixe. Tirar a pele foi bem mais fácil do que eu imaginava! Ah que bom, fiquei muito feliz* de ter feito isso! Tão feliz que tirei uma foto para me lembrar depois:


Esqueci de tirar uma foto do prato já pronto, que era o seguinte: um risoto com cogumelo, trutas enroladinhas com presunto de parma e tudo isso foi parar no forno, dando a oportunidade para lavar toda a louça e arrumar a cozinha antes da refeição. A receita era para 4 pessoas... mas estávamos em 3 e quase faltou comida! Por sorte a visita era de casa. Então tenho que me ligar em quantidades: 225g de arroz não é que chega para 3 pessoas... Aliás não gostei da proporção da receita, foi pouco arroz (225g) para muito peixe (440g).

*Feliz de ver que peixe (pelo menos truta) não é o grande mistério que eu imaginava. Quero algum dia conseguir conseguir preparar tudo que é tipo de peixe e os meus frutos do mar preferidos: mexilhões e vierias (coquilles st jacques). Sempre que vou em restaurantes dou preferência aos pescados – a maior revelação culinária que eu tive saindo do Brasil. Ou talvez devesse admitir “saindo do Rio Grande do Sul” - provavelmente todo mundo consome mais peixe que nós gaúchos. Lá em casa peixe era só na sexta-feira santa, e olhe lá. E vc, consome muito peixe na sua região do Brasil? Ou consumia, enquanto morava lá?  

sábado, 17 de março de 2012

o assunto é super

Na divisão informal de tarefas que fizemos ao casar, sobrou para o meu marido, entre outras coisas, cozinhar e fazer as compras. Coisas que ele vem fazendo ao longo de todos esses anos que estamos juntos. Acontece que no fim de fevereiro eu notei que ele andava meio estressado. Já que estou nessa enrolação de querer cozinhar (mas nunca cozinho) resolvi dar uma chacoalhada no sistema e assumir as duas responsabilidades: ir no supermercado e cozinhar... ou pelo menos comprar comida pronta. Ultimamente ele andava muito ocupado e por falta de tempo só estava comprando essas comidas prontas de esquentar no microondas. Então se é pra comprar comida pronta, eu também consigo... certo?

não é uma brastemp
Quanta inocência! Nunca imaginei que manter a casa e principalmente a geladeira abastecida fosse uma coisa assim tão cansativa! A nossa geladeira é bem pequena (capacidade 110 litros), e não temos espaço para uma geladeira maior. Aliás moramos num lugar bem pequerrucho (30m2) e não temos como armazenar muita coisa... é impossível fazer grandes ranchos. Então ele sempre fez 3 viagens ao supermercado por semana, ao longo de todos esses anos. Estou impressionada com o trabalho que dá, não fazia a menor idéia - até porque meu marido nunca reclamou de nada. Não que eu nunca tivesse entrado num super antes, nada disso; mas nunca tinha assumido essa responsabilidade de manter a casa abastecida com comida e produtos de higiene e limpeza. Antes de casar eu morava com os meus pais, e essa responsabilidade era do meu pai. Quando casei, mais de 15 anos atrás, sobrou para o marido. Então é a primeira vez que estou fazendo as compras.

E o tempo que vai nisso?! Conferindo o que falta, dirigindo até o super, procurando vaga no estacionamento, procurando os produtos lá dentro (não sei onde ficam as coisas, mas assim que eu aprender tenho certeza que tudo será trocado), esperando na fila para pagar, carregando compras de um lado para o outro etc etc, estou quase me arrependendo de ter assumido essa responsabilidade. Mas daí eu penso em todos os anos que ele fez isso sem se queixar de nada... Ele também merece uma folga J

E quanto às refeições: como ir no supermercado está tomando mais tempo do que eu imaginava, por enquanto eu tenho feito apenas as poucas coisas bem básicas que já sei mesmo, e comprado muitas coisas prontas. Assim que eu estiver mais entrosada com a rotina do supermercado (!?) eu vou tentar cozinhar pratos novos e mais interessantes.

Ah que coisa mais ricídula deve ser esse texto de hoje, para quem tem experiência com tudo isso... mas pra mim está sendo novidade mesmo. Aliás se você tem qualquer dica de como otimizar/simplificar o processo, por favor compartilhe aí nos comentários. Por mais banal que seja a sua dica para você, provavelmente será útil para mim. Meu marido fazia tudo no automático (até a lista ele carregava na cabeça), então para ele “é só questão de prática”.

E se você é responsável pelas compras na sua casa, tem a minha admiração! Parabéns J